quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Determine
Comece
Termine
Não negue
Se entregue
Pegue
Faça
Com graça
Ou na raça
Mas continue
Seja
Conquiste
Acredite

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Através do Espelho

Há alguns meses, descobri que seria pai mais uma vez! Mês passado, o médico que fazia o ultrassom disse que seria uma menina. Porém, como a última menina nascida na minha família veio há mais de trinta anos (entre primos, filhos de primos, sobrinhos e netos só dava menino), ninguém botou muita fé!

Segura o enxoval, pois vai que é mais um varão!

Hoje, confirmou-se a "zebra"! Acabou a hegemonia! Uma garotinha está a caminho!

Olho para meu primeiro filho (muito parecido comigo, mas com muitas diferenças)! É como olhar em um espelho que nos leva a uma viagem no tempo! De volta ao passado.

E feliz com a confirmação de que teremos um casal, penso também no futuro! Como será olhar para um espelho que me mostre jovem e do sexo feminino!

Muito curioso para olhar através desse espelho!

Vem logo, princesa Alice!!!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Tempo

Me peguei a pensar agora sobre o tempo. Como parece estar passando rápido! A semana mal começou e já estamos caminhando para a quinta-feira.

Quando eu era criança, parecia que a semana demorava para passar e que cada sábado e domingo duravam quinze dias! Hoje, mal dá tempo de perceber o tempo voando!

Meu pequeno vai completar 3 anos; estou há quase 15 anos no meu atual emprego; em alguns anos farei 40!

Mais alguém com a mesma sensação?

Há uma teoria de que essa percepção se dá em função  da velocidade do universo. Após o Big Bang o universo se expandiu até um certo  limite, com a velocidade diminuindo gradativamente até parar! Agora, a gravidade do ponto inicial estaria puxando de volta, cada vez acelerando mais de volta ao começo! Condensando, comprimindo, até tudo se juntar novamente em um novo Big Bang!

Não sei de quem é essa teoria ou se é só viagem minha! Mas me peguei pensando sobre o tempo agora!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Uma breve história da vida – Homenagem a Eike Batista


Com a prisão do bilionário brasileiro (quase um Warren Buffet – mentira) Eike Batista esta semana, foram feitas muitas piadas (apesar de ser um assunto sério e que pode mudar os rumos do país mais uma vez). Uma delas dizia: eu nunca imaginei que um dia estaria em melhor situação que o Eike Batista.

Hoje, uma amiga que está na Europa (bem melhor que onde está Eike) visitou uma joalheria em Genebra (estou bem de amigos – lembrando que menção no blog vale uma lembrancinha, hein). E me lembrei de uma passagem de minha lua de mel no México.

Dólar a R$ 1,70 (verdade, nem parece que isso já foi real). Muitos shots de tequila, cervezas, piñas coladas, margueritas. Passeando por um shopping me decidi: “Vou comprar um relógio”!

Entramos em uma loja, que vendia joias e relógios, e eu achando que ia gastar umas 200 doletas em algum relógio chique. Vitrine número 1: relógio mais barato 15 mil dólares. Vitrine 2: 10 mil doletas. Vitrine número 3: 25 mil verdinhas.

Finalmente, achei o relógio mais barato da loja: 6 mil dólares. Hahaha! Relógio por seis mil? Conta outra, vai! A etiqueta dizia que só a pulseira era 6 mil. O atendente ainda queria me mostrar as peças e eu dizendo: “Só estou dando uma olhada! Não vejo nada que me agrade!”

Saindo da loja, minha mulher disse: “Só tu mesmo para achar que iria comprar um “reloginho” numa loja dessas”

Foi então que notei os dois seguranças. Trogloditas de terno e gravata, armados, parecendo mais dois agentes do serviço secreto americano saídos diretamente de filmes de ação. Guardavam a loja com olhos de lince, atentos a qualquer atitude suspeita nas proximidades.

Quem dera nesse dia eu fosse Eike Batista (nem sabia quem era o cara na época). Ou não, né! Preferiria muito mais gastar as minhas preciosas doletas em Cervezas, tequilas e Piñas Coladas.

E você? Está melhor que o Eike?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O linchamento!


O brilho das tochas ofuscava o caminho à frente. Mas isso não era um problema. Ele sabia muito bem para onde estavam indo. A turba o seguia. Ele podia sentir que estavam todos com ele. Estavam em uns trinta; homens e mulheres. Não ia demorar muito tudo estaria resolvido. O acerto de contas iria ser finalizado.

A noite estava fria. A leve brisa da noite fazia com que as chamas bruxuleassem criando sombras na escuridão. Sombras que iram se propagar por muito tempo na história daquela cidade. Talvez, se ele soubesse disso, jamais teria ido até o fim.

Seguiram em frente. Cruzaram a praça e chegaram até a porta da cadeia. Era lá onde estava o desgraçado. Aquele que havia tirado a vida do seu tio. E que agora ia pagar por isso. Todos eles carregavam paus, pedras, rastelos e outros objetos que poderiam ser utilizados como armas.

Podia sentir o medo nos olhares daqueles que o seguiam. Todos o temiam. Afinal, era ele e sua família quem mandavam naquela cidade. Eles eram os donos daquele lugar. Nenhum jornalistazinho nordestino qualquer iria mudar isso.

Ele também sentia o ódio que emanava de seu coração contaminando a todos. Além do medo, ele inspirava nos conterrâneos a sede de vingança.

A adrenalina aumentou quando pararam em frente à delegacia. Ele tremia. A ansiedade era imensa. Da porta, um policial gritou:

- Vão embora! É melhor deixar a justiça lidar com o caso. Não queremos confusão e a madrugada está fria! Vão para casa todos vocês!

- Nós somos a justiça! –  gritou o homem que liderava a turba – Esse assassino não vai sair impune!

A delegacia estava cercada pelos revoltados. As tochas iluminavam a fachada do lugar. Todas as janelas e a porta frontal estavam trancadas. O líder tentou forçar a abertura, mas não teve sucesso.

- Abram essa porcaria! Eu não vou embora antes que esse nordestino de merda pague pelo crime que cometeu! Sabem quem eu sou? Eu sou o dono de vocês! Eu mando nessa cidade!

Ele começou a chutar a porta. Uma, duas, três vezes. Cada vez imprimindo mais força. A porta balançava e rangia. Mais alguns homens do grupo se juntaram a ele. Parecia que a madeira iria ceder em breve.

Enquanto chutavam, puderam ouvir que os policiais dentro da delegacia arrastavam algum móvel, com o objetivo de reforçar a porta. Mas era tarde demais. A porta se abriu quando a madeira rachou próximo à fechadura. Os homens correram para dentro da delegacia e renderam os dois policiais. Tomaram suas armas.

- Onde está a chave das celas? – disse o líder para um dos saldados.

- Senhor, não faça isso! Pense nas consequências...

O policial mal terminou de dizer a frase que tentava dissuadir os invasores quando foi atingido por um soco no nariz. O sangue começou a escorrer imediatamente e o homem que buscava vingança o encarou com o demônio no olhar.

- Eu já disse que mando nessa merda toda!

Desferiu mais um golpe no policial que desmaiou. No cinto dele, estava um molho de chaves. Dirigiu-se aos fundos da delegacia, para a área onde ficavam as celas. Ao parar defronte o cárcere de seu desafeto, ficou ainda mais irritado pois este aparentava estar tranquilo, ciente de seu destino e sem medo de encará-lo.

- Já sabes que vais morrer, seu filho de uma puta?

- Que outro fim poderia ter esta história? Escrevi algumas verdades, nada mais! Depois apenas defendi-me de seu tio. Só o matei para não morrer!

- Mentira! Você e o seu primo queriam acabar com nossa força política e inventaram mentiras! E então mataram o homem que iria desmascará-los!

A cela foi aberta e os dois foram arrastados para fora da delegacia sob pauladas, pedradas, socos e pontapés. Foram atirados ao chão da praça e o espancamento continuou.

O líder da turba era o mais ensandecido. Tinha prazer a cada golpe. E concentrou toda a sua raiva naquele com quem trocara as palavras dentro da cadeia. Ria como um louco. O sangue da vítima que era linchada impiedosamente escorria por suas roupas e seu rosto.

Quando os dois estavam mortos, um grito de desespero fez gelar os corações de todos os que praticavam o linchamento. O silêncio foi instantâneo.

- Nãaaoooo! Assassinos! Meu filho, nãaaooo!

A mulher vinha correndo pela praça e tomou o filho morto nos braços. Chorando, encarou o líder dos homens que o haviam matado:

- Você vai se arrepender disso! Não vai ter paz por toda a eternidade! Eu te amaldiçoou a viver na amargura e no sofrimento até encontrar a justiça no inferno! Amaldiçoo também está cidade mesquinha e doente! Nunca prosperará! Que este sangue derramado do meu filho se torne o veneno de uma serpente e jamais traga paz a essa cidade e a você! Assassino! Daqui me vou e não levarei nem meus sapatos, pois desta terra não quero levar nada!

Dizendo isso, a senhora tomou uma tocha caída ao chão e desferiu um golpe no assassino de seu filho. Para se defender, ele segurou a tocha com a mão direita. A dor foi instantânea. O cheiro de carne queimada tomou a ar.

- Está queimadura é a marca que o Diabo vai usar para levar tua alma! Nunca se livrará dela e sofrerá as consequências desse ato hediondo!

Ele tomou a tocha da mulher. As chamas ainda queimando sua carne. A dor aumentando...aumentando.....aumentando....



+++



Daniel acordou suado e assustado. Sua mão direita doía como se estivesse queimando. Ele acendeu as luzes e olhou para a mão, esperando ver a pele queimada e retorcida. Meu deus, foi apenas um sonho. A mão estava normal. Sem bolhas e a dor estava passando.

(Depois de um breve período sem postagens - já que ninguém é de ferro e eu também tirei merecidas férias - voltamos aos contos, poemas, devaneios e outras loucuras no Manifesto Irracional. Esse é mais um trecho da história que estou tentando desenvolver para fechar um romance. Já tenho toda a linha da história, personagens e até já sei o possível final. Difícil está sendo costurar todas as ideias. Mas vamos com calma! Hehehe...quem quiser mais um gostinho dela, busque pelo texto Gerra na Terra do Sol, que postei em junho do ano passado)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mais de um!

Não tinha me dado conta, mas faz mais de um ano que (re)comecei a escrever. O Manifesto foi criado no final de novembro do ano passado. E depois de alguns textos sem periodicidade, resolvi escrever todas as quartas-feiras. Não é fácil e tem dias como hoje que não tenho nada pronto para postar. Mas a experiência tem sido muito legal. É muito bom saber que muitas pessoas de lugares distantes acessam e gostam das minhas loucuras. Valeu a todos que acompanham e vamos buscar novas ideias e contos!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mais 90 minutos!

Hoje seria dia de festa! Aqui ou na Colômbia! Como eu queria ter visto esses dois jogos!

A vida é assim, se vai sem mais nem menos! Um segundo basta para mudar tudo! Um ato que nos leva de onde e quando estamos para o amanhã, pode ser o mesmo ato que nos leva para sempre!

No último minuto da partida semifinal, o goleiro fez a defesa da vida dele, dos companheiros de time, de uma cidade do interior de Santa Catarina e de milhões de brasileiros que amam o futebol. A defesa da vida, que os levou ao topo e muito próximo da glória, mas que também os conduziu ao lamentável acidente da última semana! É, é a vida!

Hoje são mais noventa minutos de silêncio, para depois explodir o grito!´

É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!

EEEEE.....VAMO VAMO CHAPE! VAMO VAMO CHAPE! VAMO VAMO CHAPEE!!!

#FORÇACHAPE

ETERNOS CAMPEÕES

Assim como o povo colombiano é o Atlético Nacional que mostraram ao mundo que ainda existe humanidade! Parabéns Campeões!!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

90 minutos de silêncio

Hoje apenas tenho vontade permanecer em silêncio.

O sonho estaria se tornando realidade neste momento.

Mas não se tornou!

90 minutos de silêncio!

#FORÇACHAPE


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Apócrifos II

Ato II

Eve não chorou. Apenas seguiu caminhando pelo centro de uma Nova York deserta. O silêncio era angustiante. Ela não sabia para onde ir ou o que fazer, então apenas continuou andando durante todo o resto do dia.

Quando a fome e a sede começaram a incomodá-la, entrou em uma padaria. Comeu e dormiu.

Acordou com um pombo branco bicando as migalhas no chão junto aos seus cabelos. Ele não se moveu quando ela levantou a cabeça bruscamente. Apenas ficou ali, encarando-a. Arrulhou algumas vezes, olhando diretamente nos olhos da garota. E voou até a porta.

A garota não reagiu. O pombo voltou a voar e pousou aos seus pés. Arrulhou mais alto. Voou de novo. Eve entendeu e o seguiu.

O pombo a levou em direção ao sul. Quando a noite começou a cair, o pombo a guiou até um shopping. Eve se alimentou novamente e dormiu em uma loja de móveis.

Assim terminou o primeiro dia

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Deus?


Antes não havia nada. Então eu simplesmente surgi. Em meio à imensidão do infinito, tomei consciência de minha existência. O que eu era ou onde estava, não fazia a menor ideia. Então apenas continuei existindo.

Não tinha noção de tempo ou espaço. Eu era tudo e ao mesmo tempo, eu era o nada. Então, sem ter consciência do ato, me dividi em dois. Uma consciência nova, independente, com quem passei a conversar sobre nós. Tentando entender. Mas mesmo assim, não conseguíamos chegar a qualquer conclusão.

Sem me dar conta de que estava irritado com aquela existência infinita, destruí minha própria criação, minha metade. Havia sido inútil!

Neste momento de raiva incontida, numa grande explosão de sentimentos confusos (ou não eram sentimentos?), fez-se a luz.

Dela criei as estrelas, galáxias e planetas. Tentando com isso entender quem era eu, qual era meu propósito. Nada! Não obtinha respostas!

Então me reparti novamente. Em milhões, bilhões de consciências. E reuni todas elas em um lugar ao qual acabaram chamando de Terra.

Observando a evolução destas consciências, desses seres criados a partir de mim mesmo, tentei aprender e chegar às respostas sobre o que eu era. Mas minhas dúvidas também faziam parte daqueles seres, então tudo foi em vão mais uma vez.

Hoje decidi me diminuir até tornar-me apenas um daqueles pequenos pedaços que criei. Me misturar a eles, viver como eles. Será mais uma tentativa de entender o que sou, a quem minhas próprias criações chamam de Deus.

Até breve, ou até nunca mais!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Pato!

Quem irá pagar o Pato, Donald?

(Não gostaria de trazer política para o blog, mas hoje estou me sentindo numa realidade paralela! Esse não pode ser o mundo em que eu vivia até ontem! Fala sério: Donald Trump presidente dos Estados Unidos? Que soem as trombetas!)

(Pensei em fazer um texto fantasiando em cima das piadas com o Pato Donald assumindo a presidência da Disney, tirando o Mickey do poder após receber o apoio financeiro do Tio Patinhas, mas estou tão passado que não conseguiria. Será que rolaria um "muro" na Disney?)

(Pra fechar, uma foto que acredito dizer mais que um milhão de palavras neste dia. Não sei quem é o autor para dar os créditos. Se alguém souber, agradeço)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sonhos!

Eu tive um sonho!

E tenho a esperança de torna-lo realidade.

Me chamam de louco e sonhador!

Quem não é louco ou sonhador

Vai sempre desdenhar da coragem de quem ousa acreditar em sonhos!

Até que um dia vai ver que o louco não era assim tão louco

E perceber que a vida passou e ficou tarde para acreditar em seus próprios sonhos!

Sonhe a partir de agora!

Não espere nem mais um segundo!


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Apócrifos


Ato I

O som dos trovões ecoava pela Times Square. Penetrava fundo na alma de cada uma das pessoas que estavam ali reunidas desde as primeiras horas da alvorada. O pavor estava estampado em todos os rostos. Os corações estavam congelados pelo medo. Os trovões nada mais eram do que as trombetas que anunciavam o apocalipse.

No céu, milhões de vultos negros alados se aproximavam. E todos sabiam que não haveria como escapar. O arrependimento de nada adiantaria. Os atos cometidos durante toda a vida até aquele momento já estavam registrados nos livros sagrados.

Todos hipócritas e pecadores. Agora iriam pagar.

O ataque foi rápido. Os milhões de anjos desceram dos céus e arrebataram as almas dos pecadores com suas espadas ardentes. Homens, mulheres e crianças. Todos tinham pelo que pagar. E quando as espadas cortavam a carne, o corpo era imediatamente desintegrado. As almas eram sugadas pelas lâminas em chamas.

Quando o massacre terminou, apenas uma menina de oito anos permanecia em pé, viva. Assustada e aparentando estar em choque.

Foi a única alma pura deixada para trás em toda a costa leste dos Estados Unidos.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Banho de mangueira

Ouvi as risadas de longe! A alegria se propagava nas ondas sonoras e atingiram meus ouvidos como uma doce sinfonia. O som das gotas d'água tocando o chão quente de uma tarde primaveril complementavam a música que me chamava.

Saindo da casa, vi minha mulher que regava o jardim com a mangueira virada para longe das plantas. A água molhava meu pequeno príncipe, que corria rindo aos montes só de cuequinha.

Refletida nas gotas d'água, pude ver a alegria que de seus olhos emanava.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O menino!

O menino correu, brincou e sorriu o dia inteiro! Com ele sorriu meu coração!
O brilho nos olhos do menino, fez brilhar também os meus!
Amor puro e verdadeiro!

(Te amo filho! E sei que hoje você teve um incrível Dia das Crianças)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A Travessia


Podia ver a luz do sol alguns metros à frente. Ainda faltava um pouco, mas estava quase chegando ao destino. O calor sufocante e os mosquitos e outros insetos deixaria de ser um problema em breve.

Seu rosto estava arranhado e alguns ferimentos ainda sangravam. Foram provocados por galhos quando adentrou a densa floresta após o término da trilha. Podiam achar que ele era louco, mas não queria dividir seu sonho com ninguém. Então, partiu sozinho.

Deixou os últimos galhos e árvores para trás. E viu-se defronte à um enorme penhasco. Um pouco à direita do outro lado, uma enorme queda d’água descia como um véu. Seus olhos brilhavam.

Não localizou a ponte que deveria estar ali. Ao menos não imediatamente. Mas olhando com mais atenção, viu seu próximo desafio, um pouco à esquerda. A travessia exigiria muita, mas muita coragem.

A ponte era feita de cipós e galhos. Tinha cerca de 70 metros. E devia estar ali há muitos anos.

Prendeu uma corda de segurança em uma árvore próxima. Mas era apenas uma falsa segurança. Se a ponte não resistisse, mesmo com a corda ele poderia se ferir e estava sozinho. Poderia acabar morrendo pendurado, sem conseguir voltar. Sangrar até a morte ou o pior dos casos, morrer de fome.

Deu o primeiro passo! A ponte balançou, mas aguentou o peso.

Um passo de cada vez, avançou. Mesmo com a ansiedade aumentando por estar tão próximo ao seu objetivo, tentava manter a calma e caminhava lentamente. Chegou à metade da ponte sem problemas. O som da cachoeira aumentava a cada passo.

Mais um passo...

Sentiu a perna afundar quando a tábua em que pisou se rompeu. O coração disparou quando pensou que sua travessia tinha chegado ao fim. A ponte iria se quebrar com sua queda e ele não iria conseguir se segurar. Iria virar um pêndulo e bater com toda força nas pedras do precipício.

Mas foi somente um susto. A ponte resistiu, se segurou e conseguiu se levantar e continuar. Ainda com mais cuidado, continuou o avanço. Chegou ao outro lado suando muito e bastante ofegante.

Há poucos metros dali, estava a queda d’água. Ele sabia que ali iria encontrar a passagem para o seu sonho. Poucos passos o separavam dele.

Ouviu um zumbido e imediatamente levou à mão ao lado do pescoço. Algum inseto o picara. Começou a sentir tontura e enquanto perdia os sentidos, conseguiu pegar o inseto e arrancá-lo da pele. Ao levar a mão para frente do rosto, viu que não era um inseto. Em meio à nevoa que se formava enquanto seus sentidos o abandonavam viu o que parecia ser um dardo de madeira.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Crônicas da Vida - Curto e Grosso: João e Maria


João e Maria são namoradinhos novos. É evidente pelo modo como os dois são vistos sentados num barzinho. Lado a lado; João faz carinho na mão de Maria; rolam uns beijinhos carinhosos durante a conversa; Maria faz carinho na perna de João.

João e Maria já namoram há alguns anos e estão prestes a noivar. É evidente pelo modo como os dois são vistos sentados num barzinho. Frente a frente. João ainda faz carinho na mão de Maria; rolam uns beijinhos carinhosos durante a conversa; Maria provoca, acariciando com o pé a perna de João.

João e Maria são casados. É evidente pelo modo como os dois são vistos sentados num barzinho. Ainda frente a frente. João faz pouco carinho na mão de Maria (está preocupado com as finanças e olhando constantemente o celular); quase não rolam beijinhos carinhosos durante a “quase” conversa; Maria não faz provocações por baixo da mesa a João.

João e Maria são casados faz tempo. É evidente pelo modo como os dois são vistos sentados num barzinho. Frente a frente, mas com as crianças do lado. Ou nem sempre sentados frente a frente, visto que hora é João quem corre atrás de Pedrinho, hora é Maria. Manuela ainda é nenê e fica a maior parte do tempo dormindo no carrinho.

João e Maria são casados há muitos e muitos anos e estão prestes a se divorciar. É evidente pelo modo como os dois são vistos sentados num barzinho. Um de cada lado! Ele na zona leste da cidade, rodeado de amigos após uma partida de futebol; ela em um bar com as amigas na zona sul.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Darksiders


John recobrou os sentidos, mas ainda estava bastante atordoado. Estava caído em um beco escuro, sobre uma poça de água suja e fétida. Não tinha lembranças de como havia chegado até ali. Ou do que havia acontecido. Foi então que viu algo que o atordoou ainda mais.

Em outra poça, logo a sua frente, John viu ele mesmo, caído e com um pedaço de ferro enfiado na cabeça. Havia muito sangue no chão.

Esfregou os olhos freneticamente, esperando que ao terminar o gesto o corpo não estivesse lá. Seria apenas imaginação? Mas ao abrir os olhos novamente, lá estava ele mesmo caído e aparentemente morto. As roupas eram idênticas às que John estava usando. Jeans surrados e rasgados, camiseta branca e uma jaqueta de couro marrom bastante desgastada e velha.  

John se estapeou diversas vezes no rosto. Com força. Mas o corpo continuava lá. Não parecia imaginação. Ele então virou o homem com seu próprio rosto e checou a pulsação. Nenhum batimento. E o corpo estava frio e rígido, provavelmente morto já há algum tempo.

Antes de retirar a mão do cadáver, John sentiu uma espécie de choque percorrer todo seu braço e uma onda de lembranças atingiu sua mente.

Um bar de strip-tease. Uma, duas, muitas doses de whisky barato. Algumas cervejas quentes. Muitos dólares colocados na calcinha da loira com peitos dignos de estrelas de filmes pornôs. Ela havia sentado em seu colo e esfregado os mamilos em sua cara. O perfume era doce, mas muito diferente do perfume de Lydia! Naquela manhã, a namorada de idas e vindas desde os tempos de colégio havia deixado John: ou você deixa essa vida de crimes, ou eu deixo você! Esse ultimato fora há um mês, mas ele não acreditou.

Saiu do bar sozinho; cambaleando. Subiu na Harley Daividson e deu partida. A chuva batendo em seu rosto ajudou um pouco. Após alguns quilômetros, as doses de whisky barato e as cervejas cobraram seu preço: sentiu vontade de mijar e estava bastante enjoado. Parou a moto e saltou próximo a um beco escuro e isolado em uma área aparentemente industrial. Enquanto mijava na chuva, ficou enjoado e vomitou repentinamente. Caiu de joelhos e outro jato de bebida subiu de seu estomago queimando a garganta enquanto abria seu caminho para o mundo. Foi então que ouviu as risadas!

- Hihihihi! Hahahaha! Que cena patética! Eu nunca perderia a compostura por casa de uma puta como a Lydia!

John olhou assustado para o local de onde veio a voz. Parecia com sua própria voz. Ele escutou os passos no chão molhado, se aproximando aos poucos.

- Eu teria enfiado uma faca no meio das tetas dela! Arrancaria aquele coração mole e comeria cru! Jamais iria deixar ela mandar em mim! Mas você é um banana e deixou ela ir embora. Agora está aqui, pondo as entranhas pra fora e choramingando na chuva! Patético!

John viu horrorizado que o dono da voz era ele mesmo. Como assim? Aquilo só podia ser sonho!

“Será que além das bebidas usei alguma coisa a mais? ”  – pensou.

Mas o chute que o falador lhe deu nas costelas foi bem real. E dolorido! Todo o ar foi expelido de seus pulmões e John caiu com a cara no próprio vômito. Enquanto se contorcia, o homem voltou a falar:

- Não se preocupe! Estou aqui para ajudar! Sou o seu “eu negro”! Sua metade mais animal! Estou aqui para tomar o seu lugar! Vou matar tudo que há de bom em você e então sobrará somente o mal. Todos no mundo irão morrer! E o lado negro de cada um irá tomar essa terra! Não há como evitar! Hahahaha!

Quando o lado negro se preparava para mais um chute, John atirou-se para cima dele e o lançou ao chão. Os dois entraram num combate pela sobrevivência, como dois animais. Mas o lado negro de John parecia ser mais forte e o arremessou contra uma lixeira. John bateu com as costas e então o lado negro começou a abrir e fechar a tampa da lixeira em sua cabeça. Uma, duas, três vezes!

John já estava prestes a perder a consciência e se entregar para a morte certa, quando sentiu o cheiro doce do perfume de Lydia. A lembrança dela ativou um último ímpeto de sobrevivência em John, que conseguiu dar um coice no atacante.

A metade negra de John cambaleou andando para trás, tropeçou e caiu de costas. Sua cabeça foi trespassada por uma barra de ferro, parte de uma antiga grade que fechava o beco.

John tentou se levantar. Cambaleando, com a cabeça latejando, viu seu atacante fora de combate. Sorriu e caiu de cara no chão desmaiando.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Apatia


Queria chorar, mas secaram as lágrimas

Queria correr, mas as pernas estão cansadas

Queria gozar, mas não há prazer

Queria gritar, mas a voz acabou

Queria dormir, mas a insônia persiste

Queria sorrir, mas estou triste


(Estava voltando para casa agora à noite e escutei a música Out of Tears do Rolling Stones no rádio. Então pensei na frase que da título à canção e a poesia acima saiu!)



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Hamilton

Hamilton estava tranquilo quando foi levado pelos policiais até o camburão. Afinal, estava apenas manifestando sua insatisfação com a atual situação do país. Antes de ser colocado no "chiqueirinho" gritou para a namorada:

- Fala pro meu pai ligar pro amigo dele que é advogado!

Tomou mais um soco do policial que o conduzia. O braço também foi torcido mais um pouquinho.

O amigo advogado do pai nada pode fazer por ele. Hamilton nunca chegou até a delegacia.

A tranquilidade virou terror quando o camburão tomou um caminho escuro e afastou-se do centro da cidade.

No jornal do dia seguinte, a manchete: "Jovem é baleado e morto em troca de tiros com a PM".